Monografia: A Cura da Alma

Monografia de Terezinha de Jesus Lima Bezerra de Santana, apresentada à Associação dos Terapeutas Florais (ASTEFLOR), como requisito para a obtenção do título de Especialista em Terapia Floral, ou seja, Terapeuta Floral. Todos os direitos são reservados à autora, sendo proibida a reprodução no todo ou em parte sem a autorização por escrito.

 

 

 

 

 

 

 

TERAPIA FLORAL – A CURA DA ALMA

TEREZINHA DE JESUS LIMA BEZERRA DE SANTANA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

BRASÍLIA

JANEIRO 2010


 

TERAPIA FLORAL – A CURA DA ALMA

 

 

1          INTRODUÇÃO

 

A medicina contemporânea caminha para a superação do modelo mecanicista para um modelo vibracional - uma medicina energética.

 

O universo newtoniano, visto como uma máquina poderosa, um grande relógio, pouco a pouco vai dando espaço para a compreensão do universo autoconsciente, no entender de alguns físicos quânticos. É compreensível que esse modelo encare o ser humano como uma máquina que deve funcionar perfeitamente e, caso haja algum defeito na engrenagem, os métodos acertados poderão repará-la com sucesso, sejam eles transplantes, intervenções cirúrgicas, medicamentos, próteses, remoção de órgãos, quimioterapia.

 

A questão é que tais métodos na maioria das vezes falham, porque o corpo humano é visto como uma máquina biológica altamente sofisticada, esquecido da natureza real do ser humano que, mesmo em condições idênticas, reagirão de forma diferente, evidenciando as características pessoais. Afinal, o corpo físico carrega em si as marcas do modo de ser do humano que o habita. Talvez o entendimento do que realmente ocorre em cada célula, que é a menor unidade do ser vivo, passe pela compreensão das fronteiras físicas das partículas que a compõem. 

 

Segundo Varela,

 

“A fronteira da física de partículas situa-se hoje num domínio de energias inacessível na face da Terra. A teoria de unificação das interações a que os físicos aspiram descreverá o comportamento da matéria nas condições extremas que ocorreram no big.bang. A compreensão da origem do universo passa pelo conhecimento do que acontece no limite do infinitamente pequeno. Nesse sentido, os objetivos da física dos quanta[1] e da cosmologia são hoje convergentes”. [2]

 

O médico Jeffrey Satinover afirma que

 

“…não há essencialmente nada na matéria – ela é completamente insubstancial. A coisa mais sólida que se pode dizer a respeito de toda matéria insubstancial é que ela é mais como um pensamento; é como um bit concentrado de informações”.[3]

 

No modelo vibracional, que inclui outras dimensões além do plano físico, a medicina considera o ser humano como ser extrafísico, um ser espiritual em sua jornada no mundo material, em suas interações, em seus relacionamentos, em suas formas de manifestar-se. São as energias extrafísicas e espirituais as verdadeiras forças que atuam na saúde ou na doença.

 

“A perspectiva da medicina vibracional, que vê os seres humanos como sistemas de energia multidimensionais, pode ser mais facilmente compreendida se examinarmos as diversas maneiras pelas quais o nossos corpo usa diferentes formas de energia e nutrição, no processamento de informações e na manutenção da nossa saúde geral”.[4]

 

A medicina convencional, também conhecida como alopatia ou medicina galênica, orienta-se pelo modelo bioquímico, mecanicista, enquanto a medicina vibracional concebe o ser vivo como um ser extrafísico, incluindo, portanto, outras dimensões além do plano físico, outras forças que atuam para o equilíbrio do ser. A concepção vitalista trata o individuo em sua totalidade e defende que as doenças são alterações da energia vital e a cura se processa por meio da atuação sobre a energia vital com os estímulos apropriados.

 

Ressalte-se que falamos do ser vivo, porque, conforme a linha de pensamento que adotamos para a compreensão desse modelo o universo é autoconsciente e a medicina vibracional trata dos seres vivos em geral que são compreendidos como sistemas de energias multidimensionais, como a teoria Gaia que concebe o próprio planeta Terra concebido como um grande ser vivo, sendo os rios o sistema circulatório.

 

Conforme a afirmação de Goswami ao formular a tese de que uma ciência baseada na consciência nos dá uma definição clara de vida:

 

“… parece razoável postular que a mensuração quântica auto-referencial começa com a vida — e define-a  — em uma única célula viva. A célula viva é autônoma e tem integridade própria; percebe-se como distinta e separada de seu ambiente. Faz sentido afirmar que mensurações quânticas dentro da célula viva criam distinção entre a vida e o seu ambiente”.[5]

 

            Dessarte, a morte ocorre quando a consciência se retira da matéria viva. A consciência é um nível de realidade ainda mais sutil do que os campos de força. Diz Hagelin, PhD, citado por Arntz,

 

“Nossas pesquisas sobre o cérebro ajudou a revelar estados mais elevados de consciência além da vigília, do sonho e do sono. Existem sete estados de consciência. Acém dos três que normalmente experimentamos, existe a consciência pura. É um estado mais simples da consciência humana, um estado profundamente calmo e silencioso de percepção ilimitada, no qual a mente experimenta e se identifica com o campo unificado de todas as leis da natureza”.[6]

 

O nosso estudo pretende percorrer um caminho que nos ofereça um panorama da compreensão para a cura da alma e destacar a importância da terapia floral nesse contexto, considerando que a terapia floral não causa impacto sobre a bioquímica do corpo, não é capaz de mudar a personalidade do individuo, não tem efeitos similares aos antidepressivos ou euforizantes que modificam a química do cérebro, não controla as emoções ou até mesmo são capazes de suprimi-las. As essências florais atuam no nível da alma por meio da ressonância vibracional como “catalisadores que estimulam e energizam o processo de transformação interior.”[7]

 

As essências florais diferem dos remédios homeopáticos, que atuam de acordo com a lei dos semelhantes. Também não atuam por meio das leis dos contrários, que age por meio da supressão dos sintomas, característica da alopatia, entende-se que “a terapia floral aplica a lei alquímica da União dos Opostos, pela qual os pólos opostos são integrados numa síntese mais elevada.”[8]

 

 

 

2          O NASCIMENTO DA MEDICINA OCIDENTAL

 

            A antiguidade grega nos faz compreender as práticas médicas levadas a efeito na época pré-hipocrática e originaram a medicina ocidental.

 

A mitologia grega nos fala de Quírom, o centauro, que, por suas virtudes, após a morte foi colocado por Júpiter entre as estrelas, como a constelação de Sagitário. Segundo o relato mítico, este recebeu lições de Apolo e Diana. Conhecido por habilidades tais como, a caça, a música, a arte da adivinhação e a medicina, teve por alunos heróis gregos, entre eles Heracles e Jáson, e foi o mestre de Esculápio.

 

Esculápio, também conhecido como Asclépio, recebeu de Apolo, seu pai, a arte de curar, e aprendeu com Quíron o manejo do arco, da flecha e do alfabeto, distinguindo-se de tal modo que foi capaz de ressuscitar mortos com uma erva mágica “que lhe havia sido revelada por uma cobra em uma tumba”[9] provocando, desse modo, a ira de Plutão. Foi fulminado por um raio de Júpiter.[10] A ele foram dedicados ritos e cultos e foi divinizado, sendo chamado de médico e salvador. Entre os templos famosos — os oráculos, havia o oráculo de Esculápio. Os enfermos buscavam o templo, adormeciam ali e recebiam o tratamento por meio de práticas mágico-religiosas.

           

Até então, a doença era vista como influência de ordem sobrenatural na existência humana, ou seja, da ação de seres espirituais que regiam o destino das pessoas modo positivo ou negativo. Em “Metapsicopatologia da Psiquiatria: Uma Reflexão sobre o Dualismo Espistemológico da Psiquiatria Clínica entre a Organogênese e a Psicogênese dos Transtornos Mentais”, Martinez traça o perfil das causas das diversas moléstias causadas por influência de tais forças, particularmente, no tocante a origem das doenças mentais, da loucura como o desequilíbrio causado pelo abuso dos apetites instintivos, da fraqueza da vontade dominada pela ambição excessiva, pela infração as leis da própria natureza, razão pela qual psicanalistas recorrem, ainda, à mitologia grega como instrumento de pesquisa do comportamento humano.

 

Na Ilíada, “Agamêmnon reconhece sua iniciativa, sua decisão volitiva no roubo do presente de honra de Aquiles, mas ao mesmo tempo divide a culpa atribuindo-a também à poderosa e irresistível ação das forças que atuam sobre a constituição humana, a Zeus (Deus), ao destino e às Erínias, estas últimas constituindo as forças morais e físicas primitivas, que recebiam três designações: 1) Alecto, a força incessante e implacável; 2) Tissífone, a força vingadora do crime e avaliadora do homicídio; e 3) Megera, a força que inveja e tem aversão por algo ou alguém (Brandão, J.S.,1991,MG, v.1, p.207)[11]. Tais forças ou leis “sobrenaturais” eram tidas como sendo reguladoras da vida instintiva, afetiva (moral) e intelectiva do ser humano, constituindo a representação pré-científica da física e da psicologia, principalmente. O conceito central de “conflito” perpassa praticamente toda a antigüidade mitológica”.[12]

 

Ainda segundo Martinez, Homero, Eurípedes, Sófocles e outros poetas e dramaturgos gregos, tais personagens trágicas são expressões das diferentes formas de enfermidades mentais e ainda descrevem “atuais quadros sintomáticos da psiquiatria clínica: delírios, alucinações, descontroles emocionais, desajustamentos sociais, através de termos ainda em uso como mania, melancolia, histeria, paranóia, desvario, furor, etc”[13]

 

Com Sócrates surge a questão da realidade última do homem, da sua essência, cuja resposta é a alma. O homem, então, é uma alma encarnada, seu corpo é um instrumento do qual ela se serve. Partindo desse ponto de vista, o conhecimento de si mesmo deve ser a meta principal do homem para tornar a alma virtuosa. A razão dirige a vontade para o bem. Logo, sendo o artífice de si mesmo, o homem pode ser feliz em qualquer circunstância, se viver de acordo com o bem. Desse ponto de vista, a virtude é a própria recompensa, independentemente de a alma continuar a existir após a morte ou não.

 

Martinez, afirma ainda que, enquanto em Homero a loucura consiste essencialmente na irracionalidade, em Eurípides, que conviveu com Sócrates e os sofistas, a loucura se psicologiza e se naturaliza.

 

Ressaltamos que o entendimento platônico das doenças é baseado no modelo hipocrático. Para Platão (427-348 a.C.), “as causas das doenças são claras de certo modo para todos, uma vez que o corpo é construído pelos quatro gêneros ou elementos: a terra, o fogo, a água e o ar. Se houver carência ou excesso desses gêneros, contra a natureza, ou quando estes mudam de lugar, do que lhe é próprio para o de outro, dá-se a enfermidade”.[14]

 

Ao afirmar que as paixões são características próprias dos homens, Aristóteles oferece a base para a compreensão da diferença entre o universal e o particular no ser humano, uma vez que as paixões formam um pano de fundo para as ações humanas. Ao definir a estrutura da alma humana e ao criar a noção de meio-termo para definir a virtude como hábito, como um exercício que conduz o homem à felicidade, Aristóteles define uma nova concepção de homem e explica as relações humanas e como alcançar a excelência nessas relações. A vontade, ainda como uma noção em Aristóteles, é uma faculdade e pode escolher entre o bem e o mal, por isso pode tornar-se boa ou má. Aristóteles, no De Anima afirma que na alma humana a estrutura órexis, apetite irascível e racional, carrega em si também o desejo que participa da razão pela escolha e na Ética a Nicômaco apresenta uma distinção da ética da política a partir dos atos humanos e da livre escolha e elabora sua teoria das virtudes como meio-termo, “posto que a virtude se relaciona com paixões e ações”[15].

 

Martinez, ao comentar a concepção platônica da alma com a intenção de compreender as origens das doenças mentais, afirmará que

 

“Na sua obra “Timeu”, Platão concebe a psique (alma) como sendo constituída por três partes: 1) Racional (Logistikon); 2) Afetivo-espiritual (Thymoeides); e 3) Apetitiva (Epithymoeides). A parte racional ou psique superior desempenharia a função superior do conhecimento abstrato, enquanto que a parte mais inferior, a apetitiva ou instintiva animal exerceria a funções de sensação, percepção e conhecimento concreto, ligados às necessidades corporais mais elementares e à sobrevivência.  Entre as duas se situaria a parte afetiva, elo funcional entre a parte racional e a parte instintiva e elemento fundamental na interação funcional da psique tripartida, que endossa, pelo menos parcialmente, a concepção humoral hipocrática. Mas, apesar da concessão que Platão faz ao organicismo, ele também considera que a loucura pode advir da desarmonia entre as três partes do sistema psíquico, resultando no desvio da racionalidade de seguir as leis lógicas e comandar as partes inferiores do sistema como um todo. Na sua obra “Fedro”, Platão classifica os delírios ou a desrazão (Anoia) em dois gêneros: I. 1) Mania, de origem divina, dividido em quatro tipos:a) profético, inspirado pelos Daimons ou deuses; b) poético, inspirado pelas musas; c) extático, dionisíaco; e d) erótico, dos amantes; I 2) Mania de origem terrestre: loucura (Melancholikós); II) Ignorância (Amanthia), possivelmente equivalente à Demência”.[16]

 

Todavia, é a partir de Hipócrates, que a loucura se naturaliza, e os processos de perda da razão ou do controle da vontade e da afetividade passam a ser compreendidos como “a expressão ou efeito dos desarranjos somáticos, numa total inversão epistemológica quanto à etiologia das doenças mentais.”[17] Assim, nasce a medicina, como ciência, com um método preciso.

 

Não percamos de vista que ao lado dos sacerdotes de Esculápio foram aparecendo os médicos, leigos que passavam por uma preparação específica para exercer o seu ofício em tendas e em moradas fixas. Surgiram assim as grandes escolas médicas da antiguidade, próximas dos templos, para onde afluíam os doentes de toda natureza, proporcionando a observação dos mais diversos casos patológicos. Destacam-se as de Crotona, Cirene, Rodhes, Cnido e Cós, a qual pertencia Hipócrates.

 

Segundo Capra, “dois notáveis médicos gregos, Hipócrates e Galeno, combinaram decisivamente para o conhecimento biológico na Antiguidade, e sua autoridade no campo da medicina e da biologia estendeu-se por toda a Idade Média.”[18]

 

2.1       HIPÓCRATES

 

A medicina, tal como a concebemos, é uma criação dos gregos. Segundo o filósofo Giovanni Reale, nasceu da experiência e das pesquisas dos médicos das escolas que se desenvolveram próximas aos templos de Asclépio, que pouco a pouco foram se desvinculando dos sacerdotes. Ainda que, haja registros de práticas egípcias de cura, é a mentalidade cientifica da Grécia, criada pela investigação da natureza, que buscava descobrir uma explicação natural para os fenômenos de um modo geral, foi a agudeza argumentativa, a mentalidade filosófica, que motivou a medicina grega, “só a medicina grega conseguiu elaborar um sistema teorético sobre o qual pudesse apoiar-se um verdadeiro movimento científico”[19].

 

Considerado por Platão e Aristóteles o modelo do médico por excelência, Hipócrates foi famoso em seu tempo (460-370 A.D), e legou o seu nome não só ao corpo de sua obra, mas também a um modelo de medicina que perdura até hoje. Sua obra influenciou também o pensamento socrático e platônico, em especial quanto à ética socrática.

 

Até hoje a tradição mantém o Juramento de Hipócrates como o compromisso ético do médico formando prestado solenemente, no qual é afirmado o valor intrínseco da pessoa humana, que jamais poderá ser utilizada como um meio para determinados fins. O médico é o que cuida e defende a vida em todas as circunstâncias, que se abstém de causar dano ou injustiça, que preserva a vida e a sua arte de forma pura e santa, que respeita os corpos das pessoas sob sua responsabilidade sejam estas livres ou escravas, e mais do que isso, o que ouvir no exercício de sua arte torna-se um segredo sagrado. Conclui afirmando o direito de desfrutar o melhor da vida e da arte, sendo reconhecido por todos pela sua honra, contudo, em caso de transgressão, que seja punido por isso.

 

O Corpus Hipocraticum é constituído pelos tratados médicos, aproximadamente cinqüenta textos, entre os quais: A medicina antiga; O mal sagrado; O prognóstico, Sobre as águas, os ventos e os lugares; Epidemias; Aforismos; Juramento.[20]

 

Em A medicina antiga Hipócrates reivindica a independência da medicina em relação a Filosofia de Empédocles que atribuía as mesmas causas todas as doenças baseada na idéia do quente e do frio, do úmido e do seco. Ainda que admita esses fatores na ocorrência da saúde e da doença porque ele reconhece tais propriedades em todas as manifestações da natureza, mas aí estão misturadas, não constituindo, portanto, uma causa única. Segue-se a necessidade do conhecimento médico, preciso e rigoroso, e deve se basear na experiência concreta. O discurso do médico deve buscar a justa medida, mas não se afastar do homem físico, ou seja, do que ele come, bebe, do seu estilo de vida, de uma dieta conveniente. É dessa relação que deriva as conseqüências para cada um.

 

Ainda segundo Reale, as Epidemias demonstram o rigor exigido por Hipócrates na arte médica, a partir da descrição sistemática e ordenada de várias doenças – “únicos elementos sobre os quais podia se basear a arte médica”.[21]

O prognóstico hipocrático é a arte de sintetizar o passado, o presente e visualizar o futuro com base nesses dados e por conseqüência indicar a terapia ideal. Segundo Hipócrates, “a vida é breve, a arte é longa, a ocasião fugaz, o experimento arriscado, o juízo difícil”.[22]

 

2.2       GALENO

 

Galeno (129-201 d.C) constituiu até o Renascimento o modelo do médico por excelência. Era médico de gladiadores e foi convidado pelo Imperador Marco Aurélio para ser o médico da corte, o que lhe deu as condições financeiras necessárias para elaborar as suas pesquisas e publicar suas centenas de obras, que ainda durante a vida do médico foi objeto de falsificações.

 

Segundo Giovanni Reale[23], na obra “Meus livros”, embora limitada aos títulos gerais sob os quais ele relaciona e sistematiza os tratados em particular, pode dar uma idéia da importância verdadeiramente monumental da sua produção. Galeno completa as doutrinas antigas com a sua própria, afirmando que cada organismo gera-se, desenvolve e vive de acordo com uma série de atividades específicas, segundo a regra precisa da natureza, que ele chama de faculdade, exemplo, a faculdade digestiva do estômago.

 

Para Galeno, o médico também devia ser um filósofo, e considerando que os seus contemporâneos haviam esquecido Hipócrates, o mais significativo exemplo do médico, e os acusava de serem corruptos, ignorantes e estarem divididos entre si. Tal ignorância revelava-se na falta de conhecimento metódico da natureza do corpo humano, falta de noções claras de lógica, imprescindível para a realização de diagnósticos e ainda de não saberem fazer uma distinção das doenças, conforme o gênero e a espécie. Quanto à corrupção, esta consistia na licenciosidade, na sede pelo dinheiro, no enfraquecimento da vontade por se entregar aos vícios. Conforme citado por Reale, afirma Galeno, “o verdadeiro médico é companheiro tanto da temperança quanto da verdade”.[24]

 

A concepção teleológica de Galeno deriva da tradição platônico-aristotélica, que constitui a marca do seu pensamento, como conseqüência da idéia de que a natureza não faz nada em vão. O finalismo é obra da natureza, do artífice divino, o que se revela de modo admirável no homem e também nos animais menores, citado por Reale, afirma Galeno:

“…qualquer outro animal que queiras seccionar te mostrará igualmente tanto a arte  como a sabedoria do artífice; e, quanto menor ele for, tanto maior será o maravilhamento que te infundirá, como os objetos que os artesãos entalham em corpos minúsculos”.[25]

           

Em seu tratado “Sobre a natureza do homem”, Galeno desenvolveu a doutrina dos “temperos”, segundo a qual, os temperos implica uma justaposição total das partes que se mesclam no que se referem às quatro qualidades quente, seco, frio, úmido, desse modo, o “bom tempero” do homem seria o resultado do “bom tempero” das várias partes do corpo. Logo, os “humores” - o sangue, a fleuma, a bile amarela e a bile negra - derivam dos “temperos”.

 

Galeno escreveu bastante sobre farmácia e medicamentos, apesar de nas suas obras se encontrarem apenas cerca de quatro centenas e meia de referências a fármacos, menos de metade do que se pode encontrar na obra de Dioscórides. Do ponto de vista farmacêutico, a grande linha de força do galenismo foi a transformação da patologia humoral numa teoria racional e sistemática, em relação à qual se tornava necessário classificar os medicamentos. Assim, tendo em vista utilizar os medicamentos que tivessem propriedades opostas às da causa da doença, Galeno classificou-os em três grandes grupos, segundo um critério fisiopatológico humoral: o primeiro grupo incluía os simplicia, aqueles que possuíam apenas uma das quatro qualidades, seco, húmido, quente ou frio, o segundo grupo era o dos composita, quando possuíam mais do que uma e por fim o terceiro grupo incluía os que actuavam segundo um efeito específico inerente à própria substância como os purgantes os vomitivos e outros. Foi na forma de galenismo que a medicina greco-romana passou para o Ocidente cristão, dominando a Medicina e a Farmácia até ao Século XVII e mantendo ainda uma grande influência mesmo no século XVIII.[26]

 

A concepção galênica predominou durante toda Idade Média e o Renascimento. O dogmatismo desvirtuou o espírito da obra de Galeno, pelos seus sucessores, constituindo-se um obstáculo ao desenvolvimento da Medicina, razão pela qual, muitos dos seus erros foram transmitidos de século em século, “mas a excepcional estatura histórica da personagem, apesar disso, continua indiscutível.”[27]   

 

2.3       HAHNEMANN E A CONCEPÇÃO DO SISTEMA DE CURA HOMEOPÁTICO

 

Foram os alquimistas árabes e persas, durante a Idade Média, que avançaram no campo da biologia, da ciência médica, em suas tentativas de proceder análises químicas da matéria viva, e a biologia progrediu por meio dos não-médicos. A medicina e a biologia começam nesse período a percorrer esse caminho que culminará com a microbiologia de Pasteur, a fisiologia de Claude Bernard, enfim, com os modelos mecânicos do ser vivo, que culminará no que conhecemos como medicina química ou alopática.

 

Segundo o dicionário Houasiss, o termo alopatia foi cunhado a partir de al(o)- + -patia; neologismo de S. Hahnemann (1755-1843, médico alemão) para designar o método terapêutico oposto à homeopatia, de que fora o criador, a partir do vocábulo grego állos ‘outro’ + páthos ’sofrimento’; no grego allopátheia significa ’sensibilidade às dores alheias’; f.hist. 1858 allopathía. O termo alopatia é datado de 1858 e significa sistema ou método de tratamento em que se empregam remédios que, no organismo, provocam efeitos contrários aos da doença em causa.  Enquanto o termo homeopatia, vem do alemão. Homöopathie (1807), cunhado pelo médico alemão Samuel Hahnnemann, criador da terapêutica, a partir do grego homoiopátheia,as ‘conformidade de afecções ou sentimentos’. Homeopatia, segundo o dicionário Houaiss é o método terapêutico que consiste em prescrever a um doente, sob uma forma muito diluída e dinamizada, uma substância capaz de produzir efeitos semelhantes aos que ele apresenta.

           

Segundo Ullman, a lei dos semelhantes é um guia prático para a prescrição do medicamento capaz de curar e já era expressa pelo Oráculo de Delfos na seguinte afirmação: “o que torna doente, cura” e Hipócrates, enunciou que é “através do semelhante a doença é produzida , e através da aplicação do semelhante é curada.” Paracelso aplicava a lei dos semelhantes em suas práticas e a ela se referiu ao formular a doutrina das assinaturas, segundo a qual, “você coloca sob uma ordem a mesma anatomia das ervas e a mesma anatomia da doença. Essa semelhança lhe dá a compreensão do modo como você vai curar.”[28]       

            Ao traduzir a “Materia médica de Cullen”, um dos principais médicos de sua época, Hahaneman acrescentou uma nota contestando as afirmações do médico que atribuía às propriedades amargas e adstringentes da quina no tratamento da malária. E descreveu seu experimento com a quina, até doses tóxicas e como sentira sintomas semelhantes aos da malária, concluindo que o efeito benéfico da quina no tratamento da malária dava-se em razão desta possuir sintomas semelhantes aos da própria doença.

           

Gerber afirma que, ao se deparar com esse princípio de cura, Hahnemann procurou descobrir que substâncias naturais poderiam ser aplicadas no tratamento de doenças específicas, determinando cuidadosamente seus efeitos tóxicos. Baseou sua abordagem no tratamento para a malária, com cinchona, que produzia efeitos semelhantes aos da doença em pessoas saudáveis. Seus experimentos prosseguiram com estudantes de medicina, pessoas próximas e com um pequeno mais crescente número de seguidores, que serviram de experimentadores e passaram a catalogar as suas próprias reações, as “provas homeopáticas” passaram a ser indicadores úteis para prescrever o medicamento.[29]

           

Em 1796, Samuel Hahneman publicou em um dos jornais mais prestigiados da época, Jornal de Hufeland, o “Ensaio sobre um Novo Princípio” para se “determinar a virtude curativa das substâncias medicinais” com um breve exame dos até aqui utilizados. O artigo, segundo Rosenbaum, é considerado o seu primeiro texto homeopático. No referido artigo, o mestre discorria sobre uma nova visão da medicina que, visão que na verdade era a revivescência do espírito hipocrático revisitado por novas experiências, com a finalidade de lançar as bases para a medicina, “visão que já tinha sido abandonada desde a adesão generalizada a um galenismo deturpado pela tradição médica, sendo a hora de revivê-la.”[30] Suas habilidades de tradutor deram-lhe acesso aos textos clássicos, possibilitando-lhe a revisão de conceitos e a crítica às práticas médicas de seu tempo, encorajando-o o rompimento com as práticas clínicas do seu tempo, centradas na doença, levando-o em direção a compreensão da saúde.

           

Hahnemann interessou-se pelos doentes mentais, interesse que lhe valeu a direção do Manicômio para as classes menos favorecidas, em 1792, além do mais, fazia recomendações sanitárias, destacava a importância da alimentação, da caminhada ao ar livre, da atividade física, do repouso e, principalmente, a sobrecarga física e mental, considerada por ele como danosa porque afeta o corpo drasticamente. Defendia que os experimentos da medicina devem ser feitos com seres humanos sadios, modelando o sistema de cura homeopático pelos princípios da similitude e das doses mínimas, por perceber em suas observações clínicas que as doses altas agravavam os sintomas do paciente e a partir dessa constatação criou o processo de dinamização dos medicamentos já diluídos por sua vez.[31]

           

Em 1798, Jenner descobriu os efeitos benéficos das pequenas doses de varíola bovina a pessoas como tratamento para a varíola na tentativa de imunizá-las. A Homeopatia foi divulgada em vários países contando com adesões importantes, sendo a homeopatia reconhecida como um tratamento revolucionário à época. Porém as reações de médicos e sanitaristas e ainda dos vendedores de remédios começaram a crescer.

 

Hahnemann sofreu perseguições por parte de médicos e não era bem aceito pelos boticários por receitar pequenas doses de medicamento por vez o que não era lucrativo. Considerando que a medicina do séc. XVIII e XIX era mais maléfica que benéfica, baseada em sangrias, ventosas, medicamentos feitos de mercúrio, arsênico, chumbo, e ervas fortes para expulsar as doenças, homeopatia foi ganhando espaço nesse terreno porque oferecia uma abordagem sistemática para o tratamento das doenças. Contudo, os médicos ortodoxos da época chamavam a homeopatia de irracional, não-cientifica, diabólica.[32]

 

A prática homeopática, proibida na Áustria por decreto imperial alterou-se quando foi demonstrada a sua eficiência por ocasião da epidemia de cólera que ficara sem controle, mas que se mostrara eficaz na enfermaria do Hospital de Gumpendorf, onde a homeopatia era praticada clandestinamente.

 

Hahnemann e sua família sofreram ataques reiterados, perseguições e até mesmo violência física, que lhe custaram o bem-estar, trouxeram-lhe as privações de toda natureza, inclusive econômica, contudo, o seu espírito vigoroso, permanecia incólume ante a verdade com a qual se deparara e continuou a produzir os seus experimentos. Foi obrigado a deixar a sua terra natal e estabeleceu-se em Paris onde pode prosseguir o seu trabalho e clinicar novamente, alcançando um número significativo de pacientes, atendendo tanto aos famosos quanto aos populares, o que lhe valeu o reconhecimento público, como um sábio. Faleceu aos 88 anos atendendo aos seus pacientes.

 

A homeopatia é um sistema de cura com base hipocratica e de concepção vitalista que trata o individuo em sua totalidade e as homeopatias proporcionam “um tipo de energia vibracional sutil”[33], por meio da administração de substância de origem mineral, vegetal ou animal em doses infinitesimais, guiando-se pelo principio similia similibus curantur, o semelhante cura o semelhantes, a lei dos semelhantes. Isto significa que os sintomas de uma doença são a indicação da própria cura, daí importância da administração de medicamentos que provoquem sintomas semelhantes aos do doente, ou seja, o remédio é escolhido dentre aqueles que cobrem o maior número de sintomas semelhantes apresentados pelo enfermo. Os sintomas, na verdade, segundo essa concepção, é a reação do organismo contra aquela situação anormal que conhecemos como enfermidade.

           

Vê-se, portanto, que a homeopatia não lida com substâncias químicas, mas com elementos vibracionais por ser uma medicina energética, que tem demonstrado ser um sistema de cura eficaz não só de doenças agudas, mas também de doenças crônicas e, ainda, as publicações na área têm-na revelado como um sério coadjuvante na elucidação das psicopatologias e o seu correspondente tratamento. Enquanto a medicina química vê o ser humano como uma biomáquina que cura por meio da troca ou reposição de peças, da administração de drogas e medicamentos químicos, inclusive de ação psíquica, a função da homeopatia é de harmonização do individuo, sem se utilizar do uso de substâncias químicas ou tóxicas, para que o ser cumpra o tempo de vida real, estipulado pela natureza para as suas células e que ele possa morrer com tranqüilidade, de preferência pelo esgotamento da energia vital em seu organismo, ou seja, de forma natural e não por doenças ou acidentes.

 

Os tempos atuais carregam em si mudanças profundas de paradigmas, razão pela qual é cada vez maior o interesse pelas terapias naturais, pela medicina alternativa, em especial, pela medicina energética, no desenvolvimento de um modelo de cura natural. E dessa forma, abre-se cada vez mais os caminhos para os cuidados com o Ser. A medicina convencional, de modelo alopático, restringe-se aos órgãos do corpo físico em sua abordagem e que as faculdades de medicina limita-se a ensinar as leis que regem o corpo físico, enquanto que a medicina homeopática percorre caminhos diferentes para compreender as leis da cura. Os sintomas energéticos correspondem aos sintomas incomuns, peculiares, distintos, característicos, raros, singulares definidos por Hahnemann no Organon.[34]

 

Sendo, portanto, uma medicina energética, cujo modelo vibracional não é reconhecido pela medicina convencional, os domínios da homeopatia são diferentes daqueles do modelo farmacêutico biomédico, alopático, galênico, estendendo-se aos terapeutas estudiosos do Ser e aos médicos que desejem ultrapassar os corpos físicos em sua abordagem curativa. O não-reconhecimento pela “oficial” é um paradoxo, tendo em vista que a classe médica lutou no Brasil, em vão, pelo “poder” sobre a acupuntura, cuja base de trabalho são os meridianos, isto é, fios energéticos invisíveis, descobertos por médiuns chineses há cinco mil anos.

 

Dr. Bach, o criador da terapia floral, afirma que “a homeopatia de Hahneman foi o primeiro raio da luz matinal, depois de um longo período de trevas, e pode desempenhar um grande papel da medicina do futuro”[35]. E acrescenta em seguida que o médico do futuro terá como objetivos principais: ajudar ao paciente a se conhecer e ajudá-lo a perceber os seus erros fundamentais e corrigir os vícios que carrega por meio do desenvolvimento da virtude correspondente, para tanto, necessita ter grande conhecimento das leis que governam a natureza humana e os elementos que causam conflito entre a alma e a personalidade; o segundo objetivo, o segundo, será o de ministrar medicamentos que ajudem ao corpo físico a recobrar a força e auxiliem a mente a serenar-se, trazendo-lhe paz e harmonia.[36]

 

3          AS EVIDÊNCIAS DO CORPO ENERGÉTICO

 

Conforme o parágrafo 11 do Organon

 

“§11 – Quando o Homem adoece é porque, originalmente, a força de tipo não-material presente em todo o organismo, esta força vital de atividade própria (princípio vital), foi afetada através da influência dinâmica de um agente morbífero, hostil à vida”.[37]

 

Segundo André Luiz, o corpo espiritual possui uma estrutura eletromagnética que se expressa de acordo com a mente que o maneja. O corpo espiritual retrata o corpo mental - o envoltório sutil da mente, e é a sede da consciência imortal. Contudo, as suas alterações verificam-se “na base da conduta espiritual da criatura que se despede do arcabouço terrestre para continuar a jornada evolutiva nos domínios da experiência.”[38]

 

Segundo Capra (1993), a exploração do mundo subatômico permitiu a compreensão da natureza dinâmica da matéria, revelando que os componentes dos átomos, as partículas subatômicas, são padrões dinâmicos e não entidades isoladas. São partes de uma rede de interações que envolvem um fluxo incessante de energias no qual essas partículas:  

 

“… são criadas e destruídas interminavelmente numa variação contínua de padrões de energia. As interações de partículas dão origem às estruturas estáveis que edificam o mundo material, as quais não permanecem estáticas mas oscilam em movimentos rítimicos. Todo o universo está, pois, empenhado em movimento e atividade incessantes, numa permanente dança cósmica de energia”.[39]

 

Kapra afirma essa visão dinâmica do universo assemelha-se a dos místicos orientais, segundo a qual todas a vida é parte de um grande processo rítmico de criação e destruição, morte e renascimento e a dança de Shiva, da mitologia Indu, simboliza esse eterno ritimo da vida-morte que se desdobra em círculos intermináveis. E acrescenta que a dança de Shiva é o universo que dança, o fluxo incessante de energia que permeia uma variedade infinita de padrões que se fundem uns nos outros. Em um paralelo extraordinário, acrescenta que a Física moderna revelou que cada partícula subatômica não apenas executa uma dança de energia, mas também é uma dança de energia, um processo vibratório de criação e destruição. “A metáfora da dança cósmica unifica assim a antiga mitologia, a arte religiosa e a Física moderna”.[40]

           

Destacamos aqui uma importante teoria que vai tomando corpo em nossos dias, a teoria da bioinformação, que, segundo Gerber (2007), vê o corpo não só como uma rede de energia biológica, mas como um complexo sistema de processamento de informações codificadas para regular os inúmeros biossistesmas de que se compõe. Assim como as células nervosas transmitem uma forma de bioinformação elétrica que leva mensagens do cérebro ao corpo e vice-versa, a corrente sanguínea transmitiria outros tipos de “sinais bioinformacionais codificados na forma de hormônios, peptídeos e outras substâncias bioquímicas”[41].

 

Além dos códigos físicos, nas atividades dos sistemas do corpo existem os códigos energéticos, que são acionados por meio de aparelhos eletromagnéticos conhecidos como estimuladores, muito utilizado por cirurgiões ortopédicos para estimular energeticamente o crescimento e a regeneração do osso, por exemplo. Nesse caso, em vez de um estímulo bioquímico, o corpo aceita um sinal eletromagnético codificado, o que prova que o corpo pode se utilizar de diferentes tipos de “linguagem bioinformacional para desencadear as mesmas reações curativas celulares”.[42]

 

As homeopatias (remédios homeopáticos e suas dinamizações) não contém vestígios da substância de que se origina,  infere-se que contenha apenas a assinatura vibracional, por assim dizer, a impressão energética guardada pela água, um pacote da energia da substância original codificada sob a forma de mensagem bioinformacional de energia sutil que poderá estimular determinados aspectos dos sistemas energéticos de cura do corpo físico e espiritual.

 

“A chave para o efeito homeopático talvez seja a capacidade do corpo reconhecer mensagens bioinformacionais na forma de sinais de energia sutil transmitidos por diluições homeopáticas potencializadas. As mensagens homeopáticas parecem conter tipos específicos de instruções estimulantees dirigidas ao corpo as quais desencadeiam diversos aspectos energéticos e moleculares da resposta de cura”[43].

 

 

Gerber afirma que a terapia floral pode ser bastante eficiente quando há necessidade de reequilibrar os numerosos sistemas de energia sutil do ser humano multidimensiona, considerando que as essências florais não são um medicamento físico, pois não contém moléculas das substâncias medicinais específicas extraídas de folhas moídas. Preparadas com flores frescas, ainda úmidas de orvalho, em um recipiente com água, e exposta a luz do sol. Nesse processo, “a energia da luz do sol parece transferir um determinado aspecto da flor – o próprio padrão de sua energia da força vital – diretamente para a água.”[44] Diferentemente da homeopatia, que passa por um processo de diluição e sucussão para a transferência do padrão vibracional da substância para a água. Dr. Bach percebia nas flores uma das mais elevadas formas de cura da natureza, sendo, portanto, uma forma eficaz de restaurar o equilíbrio dos corpos emocional, mental e espiritual, atuando sobre os estados negativos de energia emocional, que causam as doenças. Segundo a Associação dos Terapeutas Florais (ASTEFLOR), o Brasil já é o maior produtor de florais do mundo. Até 2007, existiam cerca de 12 sistemas de florais, representando todas as cinco regiões do país.

 

No Mundo Ocidental, as evidências da existência dos corpos sutis com os seus níveis de energia que influenciam no equilíbrio saúde/doença, que são os veículos das energias espiritual e vital que se manifestam no corpo físico, podem ser detectadas, além dos efeitos das terapias energéticas, pela kirliangrafia. No Mundo Oriental, toda a medicina gira, há séculos,  em torno do ser energético, constituído de matéria, emoção e espírito, isto é, o ser integral.

 

A fotografia kirlian foi descoberta pelo casal Kirlian em 1939. Sob a ação do equipamento construído com um campo de alta freqüência, uma folha arrancada de uma árvore revelava miríades de pontos de energia; a mão humana parecia a Via Láctea ou o céu estrelado. Segundo o casal Kírlian, citado por Ostrander (1978), “parecíamos estar vendo as atividades vitais da própria folha. Uma energia intensa e dinâmica na folha fresca, menor na folha meio murcha, nula na folha morta”.[45] Foram examinadas diversas substâncias em seu microscópio de alta freqüência, madeira, borracha, couro, metal, moedas. Enquanto as substâncias inanimadas, revelam um brilho regular a sua volta, as coisas vivas “apresentavam detalhes estruturais inteiramente distintos dos das coisas inanimadas” e “uma folha viva continha milhões de luzes faiscantes, que fuzilavam como jóias. Os clarões ao longo de suas bordas eram individuais e diferentes”.[46]

 

Uma das mais importantes experiências realizadas pelos Kirlian foi com duas folhas arrancadas da mesma espécie de planta. As fotografias revelavam padrões de luminescências diferentes levando os Kirlian acreditar que haviam cometido algum equívoco. Foi quando o botânico que havia solicitado a experiência revelou que eles diagnosticaram precocemente uma moléstia grave com a qual um das plantas estava contaminada e, ainda, que nenhum teste que pudesse ser feito naquele momento poderiam mostrar a enfermidade da planta. A partir dessa experiência,

 

“Os Kirlians começaram a compreender que as galáxias de luzes faiscantes que vinham das fotografias de alta freqüência correspondiam a uma espécie de corpo energético equivalente da folha. Muito antes de manifestar-se no corpo físico da planta, as doenças já existem nesse corpo energético.

Alguns institutos estavam levando aos Kirlians centenas de “pacientes verdes” – folhas de parreiras, macieiras, fumo, etc. Em todos os casos, os Kirlians puderam verificar se a planta se achava doente ou não muito tempo antes de se registrarem quaisquer alterações físicas patogênicas nas folhas ou nas plantas, estudando-lhes o corpo energético equivalente em fotografias de alta freqüência”. [47]

 

                Experiências posteriores demonstraram que doença, dores físicas, emoções súbitas, estado de espírito, cansaço, pensamentos, as condições do observador, as mudanças do meio, tudo isso interfere no padrão de energia do ser humano que aparece nas fotografias da bioluminescência e também produzem mudanças da cor e da luz que emana do corpo. confirmando a existência de um corpo conhecido como astral, energético, éterico, fluídico, perispirito. Sendo, este uma espécie de corpo unificador invisível ou luminescência que penetra o corpo físico, tal como uma espécie de constelação elementar, semelhante ao plasma, feita de elétrons e prótons ionizados, excitados, e, possivelmente, de outras partículas ao mesmo tempo, ainda que não seja formado de partículas apenas. “É, por si mesmo, todo um organismo unificado. Atua como unidade e como unidade, emite os próprios campos eletromagnéticos e é a base de campos biológicos.”[48]

 

Esse corpo bioplasmático funciona como um modelo organizador biológico determina uma rigorosa relação entre o corpo físico e o corpo energético e aciona as reservas de energia vital, ao mesmo tempo, em que reage a todas as interferências cósmicas e se reflete no corpo físico, considerando que todas as substâncias animadas ou inanimadas possuem um duplo energético e como padrões de energia interagem umas com as outras.

 

As pesquisas realizadas a partir da fotografia kirlian comprovaram a teoria chinesa que a ciência curativa lida com esse nível invisível de energia, a energia vital, e os caminhos percorridos pela energia vital para os órgãos internos, ou seja, todo órgão do corpo se comunica com a pele, por meio dos caminhos da energia, em forma de padrões energéticos. Os Kirlians perceberam também que os lugares onde as luzes brilhavam mais pareciam corresponder aos pontos da acumpuntura chinesa e que houvesse uma relação entre os canais de luzes transbordantes que eles viam e os caminhos da energia vital dos chineses. A função do médico é a de restaurar o fluxo de energia vital, conforme o aforismo: “O médico superior cura antes que a doença se manifeste. O médico inferior só pode tratar a doença que não pôde prevenir.”[49] 

 

Ora, se, os conhecimentos referentes aos sistemas multidimensionais do ser vivo nos revela um universo dinâmico, autoconsciente, que se manifesta primeiramente em sua dimensão extrafísica por meio de padrões energéticos, a função do terapeuta é a de restaurar o fluxo dessas energias, antes que elas se manifestem como doenças no corpo físico. E, a partir da linguagem dos sintomas físicos, emocionais, mentais e energéticos, aplicar a terapêutica correspondente com a finalidade de restaurar equilíbrio psicobiofísico do ser. Enquanto que o médico alopata, restrito ao modelo bioquímico, aplicado até para as doenças psicossomáticos emprega as substâncias químicas com a finalidade de restaurar o órgão enfermo, conforme o ensino ministrado na faculdade de medicina.

 

A função do medicamento químico é erradicar os sintomas, na maioria das vezes tais medicamentos se constituem apenas em paliativos, além de causar sérios incômodos – os efeitos colaterais, isso causa o conhecido fenômeno da supressão dos sintomas de uma doença local, ignorando completamente as leis da cura, que, segundo o modelo energético, são baseadas em um sistema de circulação da energia vital. Esse modelo biomédico da doença acaba por gerar indivíduos ainda mais doentes e cada vez mais dependentes de medicamentos, inclusive para combater os sintomas causados pelos efeitos colaterais, principalmente nos casos das doenças crônicas. Natural que seja assim, pois, conforme Moreno,

 

“… a pessoa é um todo, onde os órgãos estão conectados e correlacionados, permanecendo um órgão doente, este irá transmitir a doença para outros órgãos ou sistemas do corpo humano. A pessoa se torna cada vez menos energizada e cada vez, órgãos mais internos e mais importantes afetados”.[50]

 

            O que se constata, portanto, é que o acúmulo de informações compiladas pelas ciências médicas e biológicas, desenvolvidas em uma cultura de especialistas, não são suficientes para atender a demanda gerada pelos desafios impostos pelas doenças, devido à visão fragmentada do ser humano.

A medicina energética, por tratar o indivíduo como um todo, proporciona o “despertar da consciência para a harmonização e nesse estado, não haverá mais lugar para patologias de espécie alguma”.[51]

 

Para tanto, é preciso substituir o modelo da medicina química “institucionalizada por leis federais”[52] pelo modelo da medicina energética de “custo baixíssimo, não exige hospitais grandiosos, não exige equipamentos sofisticados”[53], que prima pelo bem-estar físico, emocional, social das pessoas, necessitando apenas de profissionais capacitados em reconhecer as características constitucionais da pessoa, considerando que

 

“… neste modelo não se produzem as curas integrais, porque o estímulo químico, ou radioterapia  além de não ter o poder de recuperar a fase energética ainda aumenta a sua desordem por isso não ocorrem mudanças comportamentais de hábitos nocivos e principalmente não melhora a forma de agir”.[54]

 

A cura propriamente dita procede da intervenção na força vital do individuo por meio da aplicação do medicamento homeopático correto escolhido com base lei da similitude, considerando as características do individuo manifesta na linguagem dos sintomas mentais, emocionais, físicos e energéticos. Os sintomas que o medicamento são capazes de produzir no indivíduo são revelam o potencial de cura daquele medicamento quando aplicado ao individuo enfermo, cujos sintomas morbíferos a ele se assemelhem.

 

A medicina energética considera as doenças físicas propriamente ditas são efeitos do desequilíbrio da energia vital ou fluido vital e entendemos que, como no caso dos remédios homeopáticos, as essências florais agem sobre a substância vital.

 

“A existência dessa substância vital, como um dos elementos integrantes do homem, recebe exatamente da ação dos medicamentos homeopáticos dinamizados a mais completa confirmação, porquanto, não podendo eles atuar diretamente sobre o organismo físico, dado que não têm massa material, mas somente dinamismo imaterial, e, no entanto, atuam, é porque o fazem sobre outro elemento da mesma natureza que eles, imaterial e dinâmico, em estreita relação com o organismo, de modo que toda ação sobre um repercute logo no outro’.[55]

 

4          A CURA DA ALMA – O NOVO PARADIGMA

 

Ao consideramos a diversidade dos problemas humanos manifestos sob forma das diferentes doenças, percebemos que estas nada mais são do que expressões da consciência. A natureza sofre as conseqüências das ações humanas responsáveis pelas desarmonias que também se manifestam como doenças nas plantas, nos animais, no clima, as doenças sociais, enfermidades mentais, psíquicas, físicas.

 

O grande psicólogo suíço, Jung, citado Stein em o “Mapa da Alma”, afirma:

 

“… No que diz respeito ao caráter da alma, é minha opinião, comprovada pela experiência, que rege o princípio básico e geral de que, no seu todo, a alma comporta-se complementarmente em relação ao caráter externo (persona). A experiência nos ensina que a alma  costuma possuir todas as qualidades humanas que faltam na disposição consciente. (…) O tirano torturado por pesadelos, pressentimentos sombrios e terrores secretos é uma figura típica (…) sua alma contém todas aquelas qualidades humanas que faltam completamente em sua disposição externa, em sua persona. Se a persona for intelectual, a alma será certamente sentimental”.[56]

 

A consciência, atributo do espírito, parece ser um tipo de energia sutil que cria a realidade e nos induz a ação, por meio das nossas forças espirituais e mentais. Vale ressaltar, que em sua jornada, com o propósito de desenvolver suas potencialidades, o principio inteligente passa por experiências em todos os reinos da natureza, até conquistar a própria individualidade. Alimentados pelos poderes da mente, os impulsos podem ser controlados e dirigidos para a consecução dos objetivos a que o ser se propõe, por meio do emprego das energias mentais ao comando da força da vontade, que, por sua vez, dão a tonalidade vibratória da manifestação do ser, induzindo-o, portanto, a reunir-se com outros ao influxo das leis de afinidade.

 

Segundo o filósofo Leon Denis,

                                                             

“A finalidade da alma é o desenvolvimento de todas as faculdades a ela inerentes. Para consegui-lo, ela é obrigada a encarnar grande número de vezes, na Terra, a fim de acendrar suas faculdades morais e intelectuais, enquanto aprende a senhorear e governar a matéria. É mediante uma evolução ininterrupta, a partir das formas de vida mais rudimentares, até à condição humana, que o princípio pensante conquista, lentamente, a sua individualidade. Chegado a esse estágio, cumpre-lhe fazer eclodir a sua espiritualidade, dominando os instintos remanescentes da sua passagem pelas formas inferiores, a fim de elevar-se, na série de transformações, para destinos sempre mais altos”.[57]

 

Por meio das diferentes existências as antigas paixões, os crimes, os remorsos, os ódios, as ignomínias vão se transformando em amor, luz, perdão, e, na forja da vida, esse novo ser vai alcançando o progresso, a evolução dos mundos e das almas vai se processando e “essas aquisições sucessivas vão alteando a alma nos inumeráveis degraus da perfeição.”[58]

           

A evolução do mundo físico é uma preparação para a evolução psíquica que prossegue além dos mundos materiais, uma vez que nos mundos inferiores impera a luta pela sobrevivência, a natureza renova os seus combatentes constantemente nessa luta sem trégua, gerando novos seres que a morte ceifa, nessa luta terrível em aparência, mas necessária ao aperfeiçoamento do principio da vida que se apurará e dará espaço para o desenvolvimento da inteligência, nessa luta a vontade se afirma e da dor, nasce a sensibilidade.

           

Nesse processo de transformação o Espírito se aprimora, emerge do abismo, ergue-se de si mesmo, liberta-se e, passo a passo, torna-se o que deve ser - Amor, por meio da autotransformação, da autoconsciência, do autoconhecimento. Esse processo seria impossível sem as oportunidades vividas nas diferentes existências, sem o convívio com o semelhante, sem os ajustes às leis da Natureza. 

           

Naturalmente, ao longo desse processo vamos nos deparar com os inúmeros problemas humanas, cujas, origens se encontram em existências anteriores, cronologicamente falando, mas que permanecem em nosso mundo psíquico, em decorrências das situações vividas e não elaboradas manifestas como indisposições físicas e psíquicas, dificuldades financeiras, tendências viciosas, complexos de culpa e outras mais.

            A mente permanece na base de todos esses fenômenos em que a alma se manifesta. Segundo André Luiz, o corpo espiritual possui uma estrutura eletromagnética que se expressa de acordo com a mente que o maneja. O corpo espiritual retrata o corpo mental - o envoltório sutil da mente, e é a sede da consciência imortal. Contudo, as suas alterações verificam-se “na base da conduta espiritual da criatura que se despede do arcabouço terrestre para continuar a jornada evolutiva nos domínios da experiência.”[59]

           

Ainda segundo o mesmo autor, as Inteligências Humanas valem-se em suas criações dos mesmos princípios que as Inteligências Superiores para modelar as suas criações, da mesma energia espiritual que, por sua vez, obedece ao comando mental criando as regiões inferiores do mundo ou as massas estelares.

 

“Cabe-nos assinalar, desse modo, que, na essência, toda matéria é energia tornada visível e que toda energia, originariamente, é força divina de que nos apropriamos para interpor os nossos propósitos aos propósitos da Criação, cujas leis nos conservam e prestigiam o bem praticado, constrangendo-nos a transformar o mal de nossa autoria no bem que devemos realizar, porque o Bem de Todos é o seu Eterno Princípio”.[60]

 

            Desse modo, para que se processe realmente a cura da alma necessário se faz compreender o ser humano de modo integral, incluindo as suas dimensões extrafísicas e aplicar, de forma consciente, os recursos disponíveis na forma de energias condensadas na forma de remédios homeopáticos, essências florais, energias ambientais – o prana, o chi, energias biomagnéticas permitindo a estimulação da energia vital e a recuperação do equilíbrio do ser, considerando que estamos absorvendo constantemente diversas formas e freqüências de energia cósmica. Isso também se aplica aos seres não-humanos, ao vegetal, ao animal ou ambiental. Só o equilíbrio de todos os níveis energéticos poderá proporcionar bem-estar ao ser, ou seja, em nível físico, emocional, mental e espiritual.

           

Quando consideramos as múltiplas existências da Alma, podemos entender os resíduos cármicos dos complexos que se enraízam psicossomaticamente e as aparentes  dificuldades de resposta aos remédios homeopáticos, justamente porque o paciente está preso aos sofrimentos físicos e emocionais que estão presentes em sua alma ainda que tenha se passado milênios.  Segundo Woolger,

 

“… o ego ou eu de vida passada sofreu uma ferida profunda e é frequente todo o tipo de emoções ficarem enterradas. Construímos enormes muros defensivos, racionalizações, estilos de vida completos para evitar repetir algum dia uma situação destas e, assim parece, vida após vida o mesmo molde defensivo continua estruturando a realidade do ego”.[61]

           

 

            As essências florais e as homeopatias têm propriedades energéticas capazes de proporcionar o reequilibrio dos diversos sistemas energéticos do ser humano, restaurar os padrões fundamentais da energia emocional promovendo harmonia entre a mente e as emoções e também a autoconsciência, o autoconhecimento. Essas vibrações fornecidas pelas essências florais e as homeopatias vão atuar como catalisadores que ajudam o corpo e a mente a se livrar dos padrões mentais e emocionais negativos. No caso específico das essências florais, segundo Gerber, estas “contém uma quantidade muito grande de força vital”.[62] E, ainda, que “os remédios homeopáticos reproduzem vibracionalmente a doença no corpo para na verdade empurrá-la para fora dele.”[63] Sendo a doença uma forma natural de cura, porque eleva a alma a “um plano superior através do sofrimento físico e da dor causados pelas exonerações mentais, emocionais e físicas”[64].

 

A aplicação correta das homeopatias proporcionará ao paciente uma crise curativa que nada mais é do que uma resposta do organismo ao medicamento correto. É o que se chama de doença artificial. Se a doença está muito enraizada, há dificuldade de penetração nas camadas internas do psiquismo do individuo, razão pela qual as crianças são mais suscetíveis ao tratamento homeopático. Similarmente, vamos encontrar na psicoterapia, no contato com as grandes obras de arte, a cartase, ou seja, a liberação emocional dos sentimentos mais profundos para que ocorra a cura. Quando essa energia, conhecida como energia psíquica, libido, orgônio, chi, energia vital, fluido magnético, é bloqueada, quando ela se desvia do seu curso natural, formam-se núcleos doentios em nossa psique que se estendem a vidas futuras.

 

            Vale ressaltar a distinção feita por Kaminski entre as substâncias homeopáticas e as essências florais quanto à sua produção e aos seus efeitos. A essência floral é produzida no “laboratório da Natureza” e se correlaciona com o arquétipo ou mensagem das flores e a alma humana, passando por um processo simples de diluição, enquanto que os remédios homeopáticos, por meio da diluição e dinamização correspondente, é que afetarão os estados mentais e emocionais. Logo, embora pertençam a categoria de remédios energéticos ou vibracionais, as essências florais não se confundem com os remédios homeopáticos, mesmo quando são produzidos a partir de flores.

 

            Segundo o Prof. Moreno, é a partir dos pensamentos repetitivos, dos conflitos não resolvidos, dos traumas emocionais que se formam “nódulos energéticos”, originando, dessa forma, a predisposição ao adoecimento. Entendemos que o uso da terapia energética vai

 

“…desbloqueando as camadas energéticas negativas ou padrões negativos que se estabelecem nos nossos corpos energéticos, conectando-nos assim, com o nosso eu mais puro e com o nosso criador”.[65]

 

            Isso nos leva a concluir, que a cura da alma é perfeitamente possível a partir da compreensão e da aplicação da lei medicina energética:

 

“Um estímulo energético positivo aplicado no ser vivo gerará uma ressonância eletromagnética. Esta aumentará a freqüência da energia e elevará o padrão estabelecido no nível energético, mental, emocional e físico. À medida que o padrão vibratório for sendo instaurado – através do aumento crescente da vibração mais sutis – desencadeará a harmonização, ou seja, a cura integral, que atingirá os níveis energético, mental, emocional e físico”. [66]

 

            Considerando que as doenças se originam dos bloqueios energéticos formados nos planos sutis da alma, as energias eletromagnéticas de alta frequência atuantes nos veículos sutis transmitirá aos corpos mais densos essa vibração positiva até onde a “energia vital se concentra, reage e capta todos os estímulos oriundos dos veículos mais sutis”, segundo o mesmo autor.[67]

           

Bárbara Brennan afirma que a prática a levou a concluir que as necessidades espirituais e suas ligações com as realidades mais profundas do nosso ser são tão importantes para o processo de cura quanto às realidades físicas.

                                               

“Trabalhando como os níveis espirituais superiores do campo áurico e com as dimensões mais profundas que estão por trás do campo áurico, todo o meu conceito de saúde e cura mudou. De fato, todo o meu conceito de vida no mundo físico se modificou. Comecei a ver a cura como um lindo processo criativo de caráter extremamente natural e universal. Somos guiados por cada etapa do caminho através desse magnífico processo vital. Nele, descobrimos que somos ao mesmo tempo individuais e universais, e nos sentimos completamente seguros num universo benigno e generoso onde a vida e a cura são uma mesma cois”a.[68]

 

            Contudo, esse processo de cura, conforme o pensamento de Bárbara Brennan, passa a ser um projeto de cura abrangente, uma jornada, um aprendizado que se estende por toda vida. Portanto, é a expressão do cuidar de si.

           

Kaminski lembra que “o sucesso da escolha das essências florais apropriadas depende da nossa capacidade de sermos honestos e abertos a respeito de nós mesmos.”[69] É o momento em que nos deparamos com questões-chaves, o que pode causar um certo mal-estar inicialmente. A terapia floral passa a ser um momento de autopercepção, de reviver as experiências traumáticas e ao mesmo tempo de trazer para a consciência os aspectos a serem trabalhados, e isso, nos fará descobrir o nosso potencial e entrar em contato com os níveis mais profundos do nosso ser, o que culminará no reconhecimento de nossos verdadeiros propósitos e em assumir as responsabilidades pelas escolhas que fazemos.

           

5          OS FUNDAMENTOS DA TERAPIA FLORAL

 

            Terapia é uma palavra carregada de sentidos, cujo emprego pelos antigos filósofos está ligado à expressão da saúde, da vida feliz, de servir aos deuses, render-lhe culto, tratar, sarar. O filósofo Marco Aurélio refere-se à terapia como “guardar-se puro de toda paixão, irreflexão e humor para com aquilo que vem dos deuses e dos homens.”[70]. A terapia (therapeia) portanto, é o modo de cuidar das diferentes dimensões do ser: o corpo, a alma, o espírito, o ambiente, diferentemente de medicina (iatrike) que se refere aos cuidados com o corpo (psicossoma) e com a restauração da saúde.  A vida feliz, a vida ética requer a ação dos terapeutas, dos que cuidam do corpo e da alma, ou seja, dos que sabem cuidar do Ser que opera em cada um dos viventes. Para tanto, o terapeuta deve ser uma pessoa essencialmente ética, cuidar de si cultivando as virtudes e as potências divinas que traz em seu próprio ser, conforme Fílon de Alexandria, “o domínio de si ou a temperança é para eles o fundamento sobre o qual edificam as outras virtudes da alma”.[71]

           

Dr. Richard Bach considera que o fracasso da medicina moderna deve-se ao materialismo que, por seus postulados, encobre as verdadeiras causas das doenças, e afirma que a doença como a concebemos é “o produto final de forças profundas há muito em atividade.”[72] A supressão desse conjunto de sintomas pelos tratamentos aplicados jamais será a cura real e sim um desvio do curso da enfermidade, uma vez que a causa da doença não está no corpo físico e sim “no conflito entre a Mente e a Alma,”[73] que por sua vez exigirá a atuação das forças mentais e espirituais para alcançar a cura verdadeira: a autocura.

           

É preciso entender a doença, o sofrimento como um caminho para o auto-encontro. São eles os indicadores dos defeitos, dos vícios e da necessidade de se desenvolver hábitos novos e, consequentemente, das lições a serem aprendidas. É o aprendizado do autoconhecimento. O autoconhecimento implica o reconhecimento da Alma, do Ser Real, da Divindade, do Eu Superior do quais o corpo físco é o aspecto exterior dessa morada, desse templo. O conflito surge quando há o afastamento da direção que o Ser deseja tomar. Esse afastamento tem origem nos condicionamentos que a Alma sofre ao encarnar-se para trabalhar determinados aspectos do seu ser e cumprir as tarefas que lhe cabem no Universo. O trabalho da Alma é o de realizar o potencial divino que traz em si, mas o meio em que se encontra, na maioria das vezes, se sobrepõe e as lutas que lhe são impostas, a ignorância em que se demora, a educação eficiente, a prevalência dos desejos egoísticos, a persuasão dos outros, o medo, a crueldade, entre outros fatores geradores dos vícios, que só serão superados pelo desenvolvimento das virtudes correspondentes.

           

O desenvolvimento das virtudes só será possível com o restabelecimento da conexão Criatura-Criador, do Amor. Tudo é a manifestação desse Amor; da estrela de mais alta magnitude à partícula subatômica; do Arcanjo ao Homem angustiado; da ave ao verme. Tudo é Ser e cada ser é um raio do Ser. O problema do homem é a ilusão de separatividade que predomina em sua mente. Por essa razão o Dr. Bach afirma;

 

“Assim, vemos que podem ocorrer dois erros básicos: a dissociação entre nossas almas e nossas personalidades, e a crueldade ou a falta para com os outros, visto que são pecados que se cometem contra a Unidade. Qualquer dos dois gera conflito, que nos leva à doença. A percepção de onde estamos cometendo um erro (coisa que, frequentemente, não fazemos) e um esforço sincero para corrigi-lo levar-nos-ão não apenas a uma vida de alegria e paz, mas também à saúde.

A doença, é em si mesma, benéfica, e tem por objetivo conduzir a personalidade de volta à Divina Vontade da Alma; dessa forma, podemos ver que ela é evitável e remediável, pos se pudéssemos perceber por nós mesmos os erros que estamos cometendo e corrigi-los através de recursos mentais e espirituais, não haveria necessidade de passar pelas severas lições do sofrimento. Cada oportunidade nos é proporcionada pelo Divino Poder para corrigir nossos caminhos antes que, como um último recurso, a dor e o sofrimento tenham de ser aplicados”.[74]

                                   

            Naturalmente, esse estado ideal chegaremos a ele em outras dimensões diferentes do atual modo de ser do Planeta Terra, que para a Alma é um estágio de curta duração por meio da existência física.

           

Esse conceito de doença leva-nos à compreensão de que a doença real são os estados psíquicos dissociados das verdadeiras intenções da Alma e forjados pelo nosso

Eu Inferior ou Ego. Esses estados manifestam-se como crueldade, orgulho, ódio, egoísmo, ignorância, instabilidade, ambição, ou seja, como atitudes contrárias à Unidade. O orgulho é a exacerbação da personalidade humana, a dificuldade em curvar-se à Vontade do Criador. A crueldade é a incapacidade de compreender as conseqüências das próprias ações, de vê o próximo não só nos seus entes mais caros, mas até mesmo nos que o ofendem. O ódio é a doença do amor, é a exigência que o Outro se reduza à satisfação do seu desejo, é a negação ao Criador. O egoísmo é a prevalência do interesse pessoal em todas as circunstâncias. A ignorância é a indisposição para aprender, é a negação da Verdade e do Conhecimento. A instabilidade é a indecisão, é a fraqueza capaz de atraiçoar os outros e os próprios compromissos, é a deslealdade manifesta na atribuição de culpa ao outro. A ambição é o desejo de submeter a tudo e a todos a sua vontade. Essas imperfeições distorcem as mensagens enviadas pelo Eu Superior e provocam o conflito que se refletirá no corpo físico como enfermidade. Dr. Bach considera que até os males exteriores que afetam o corpo físico são resultantes das disposições da personalidade.[75]

           

Pelas razões expostas, faz-se necessário o estudo de si mesmo, a autoconsciência, a tomada de consciência dos erros cometidos e das atitudes diárias, com a finalidade de desenvolver das virtudes correspondentes aos defeitos predominantes e de realizar a nossa verdadeira vocação que é servir à Humanidade. Isso se dará pela limpeza dos canais que nos permitirão manifestar-se o Amor Universal, a Fraternidade Legítima.

 

“Para desenvolvermos o Amor Universal dentro de nós mesmos precisamos aprender cada vez mais que todo ser humano, por mais inferior, é um filho do Criador, e que um dia, no devido momento, ele avançará à perfeição exatamente como todos nós esperamos fazê-lo. Por mais desprezível que uma criatura ou um homem nos possa parecer, precisamos nos lembrar que há uma Centelha Divina dentro de cada um e que, com certeza, essa Centelha crescerá lenta mas seguramente até que a glória do Criador se irradie daquele ser. (…) O que chamamos de errado e mau é, na realidade, o bem fora do seu lugar e, portanto, é uma questão totalmente relativa”.[76]

           

Dr. Bach ainda nos chama a atenção dizendo que na escola médica do futuro os médicos darão menos importância às lesões físicas e envidarão esforços para estabelecer a harmonia entre o corpo, a mente e a alma, como forma de alívio e de cura da enfermidade, e ainda, a correção da mente proporcionará as condições necessárias e suficientes para a prevenção da enfermidade. Naturalmente, se praticamos paz, harmonia, serenidade, firmeza de propósito desde já estamos aproximando a nossa personalidade da união da nossa Alma. Sabendo que a doença age a benefício de nós mesmos sob a intervenção de certas leis, que, é benéfica, portanto, aprenderemos pouco a pouco a desenvolver a nossa individualidade e seguir os anseios de nossa Alma, a ouvir a voz de nossa Alma, a sermos o que realmente somos.

 

“Todo medo deve ser banido, nunca deveria existir na mente humana, e só é possível quando perdemos de vista a Divindade. É algo estranho a nós, porque somos filhos do Criador, Centelhas da Vida Divina, invencíveis, indestrutíveis, imbatíveis”.[77]

           

            Portanto, a Providência Divina nos oferece os recursos para que possamos restaurar as conexões perdidas, curar os nossos males físicos e psíquicos, por meio das diferentes substâncias de todos os reinos da natureza. Sendo a parte mais delicada e mais sensível é na mente que aparece os sintomas principais da enfermidade, logo ela deve ser o guia para o terapeuta e adverte: “Não nos fixemos na enfermidade, pensemos apenas em como o paciente vê a vida.”[78]

           

Gerber considera Dr. Bach “um radical para a sua época porque tinha a firme convicção de que a mente e as emoções desempenhavam um papel substancial na maioria das doenças.”[79] A percepção das características das flores e da sua capacidade de neutralizar e reequilibrar padrões energéticos distorcidos da energia emocional abriu um campo extraodrinário de pesquisas ainda por serem feitas, considerando que o método de investigação dos florais ainda é a sensibilidade psíquica, a exploração intuitiva.

           

Gerber nos lembra que a flor “representa a máxima realização da planta e contém a mais alta concentração de sua energia de força vital.”[80] É esse padrão de energia sutil que é transferido para a água e provoca os efeitos nos corpos multidimensionais dos seres humanos e servem de antídotos para os padrões negativos da energia mental e emocional, infundindo no indivíduo vibrações positivas associadas a determinadas virtudes como o amor, a paz, a solicitude, a amabilidade, a força, a compreensão, a tolerância, a sabedoria, o perdão, a coragem, a alegria. As essências florais atuam como “catalizadores para ajudar os corpos espirituais a se livrar de padrões indesejáveis de energias emocionais e mentais negativas.”[81]

 

Para Dr. Bach, cada essência representa uma condição capaz de gerar uma doença, por essa razão ele agrupou os remédios florais em sete estados da alma, mentais e emocionais:

·         Para os que sentem medo: Rock Rose, Mimulus, Cherry Plum, Aspen, Red Chestnut.

·         Para os que sofrem de indecisão: Cerato, Scleranthus, Gentian, Gorse, Hornbeam, Wild Oat.

·         Para a falta de interesse pelas circunstâncias atuais: Clematis, Honeysckle, Wild Rose, Olive, White Chestnut, Mustard, Chestnut Bud.

·         Para a solidão: Water Violet, Impatiens, Heather.

·         Para os que têm sensibilidade excessiva a influências e opiniões: Agrimony, Centaury, Waltnut, Holly.

·         Para o desalento ou desespero: Larch, Pine, Elm, Sweet Chestnut, Star of Bethlem, Wilow, Oak, Crab Apple.

·         Para a excessiva preocupação com o bem-estar dos outros: Chicory, Vervain, Vine, Beech, Rock Water.

Em 1979, Richard Katz fundou a Flower Essence Society com a finalidade de promover a pesquisa de novas essências florais e seus efeitos terapêuticos e assim nasceram as essências florais norte-americanas. Dessas experiências, selecionadas a partir de um grupo de 200 de essências de pesquisa, tendo por base o estudo da planta e o relato dos praticantes.

“Após terem recebido documentação convincente em diversos ambientes clínicos e terapêuticos de muitos países do mundo, foram reunidas num único kit de 72 essências. Embora as qualidades dessas 72 essências sejam amplamente conhecidas e verificadas, temos conseguido continuamente refinar e expandir nossa compreensão delas através da pesquisa direta das plantas e dos estudos empíricos de casos”.[82]

 

Ao iniciar o meu trabalho clínico voluntário com a Terapia Floral, em 1993, passei a administrar uma essência de cada vez, mantenho a mesma essência até que novos aspectos da personalidade sejam trazidos à tona e sintamos a necessidade de aplicar uma essência diferente. Vejo as essências florais como uma terapia de autoconhecimento. Para ilustrar, descato alguns casos, cujos nomes são fictícios:

 

JOSÉ –  33 a – Wild Oat – Sempre fez vários projetos, nunca conseguiu se firmar na escolha da profissão. Fez seis vestibulares para vários cursos diferentes, sentia-se incapaz, contudo a admistração de Wild Oat, decidiu-se pelo vestibular de sua área preferida e concluiu o curso.

 

MARIA JOSÉ -  65 a – Mimulus – Não saía de casa sozinha, tinha crises de pânico, medo de acidente, sensação de vertigem, angústia intensa. Após a admistração de Mimulus, curou a tontura e tomava o ônibus sozinha.

 

DANIANE – 5 a – Star of Bethlehem – No período de três meses foi atendida em emergência 6 vezes, com doenças diferentes. Crises alérgicas, problemas de pele - intoxicação, inflamação no liquido sinovial, garganta inflamada, entorse. Esta criança tinha um histórico de sofrimento intenso no período de gestação e teve bronquite asmática até os dois anos de idade.  Foi administrado Star of Bethlehem. Desde então, recuperou a saúde.

 

CLAREANA – 2 a – Crab Aplle – Desde o nascimento apresentou uma eczema renitente, teve acompanhamento de dermatologista, usou vários medicamentos, sem sucesso. O Crab Apple provocou uma crise curativa (apareceu uma coceira em todo corpo que a criança não tinha) e a eczema desapareceu.

 

FATÍMIA – 44 a – Chicory – É uma mãe extremamente cuidadosa, queixa-se muito das dificuldades, tem sérios problemas cardíacos, chora com facilidade e sente-se sobrecarregada pela família, mas é muito amorosa com os filhos e está sempre disposta a ajudar as pessoas. Após Chicory, sentiu-se mais calma, mais harmonizada. Percebe uma melhora inclusive no cansaço que sempre sente.     

 

MÁRIANA – 25 a – Vervain – Mulher corajosa, defende os ideais com veemência, chega a ser intransigente e autoritária quando se trata do seu trabalho. Trabalha em uma instituição religiosa como voluntária e é professoa universitária. Após Vervain reconheceu o grau de exigência com os colegas de trabalho, quando em coordenação.

 

CRISTINA – 44 a – Clematis – Artista, tem a necessidade de estar criando constantemente, é poeta, cantora, atriz, mas não consegue se firmar em um projeto. Tinha sérias dificuldades no trabalho, afirmava sentir-se incompetente e não reconhecida. Histórico de afastamento do trabalho e episódios de depressão profunda e DORT. Após o uso de Clematis, três meses depois, recebeu um feedback positivo do chefe e da equipe. Está começando a cumprir as metas estabelecidas.

 

JOSÉ – 48 a. Centaury – Teve um pai violento e sempre se sentiu profundamente oprimido. Considerava-se uma pessoa maleável, mas, na verdade era profundamente inseguro. Tinha um aspecto frágil, uma aparência de cansaço constante. Após o uso de Centaury percebeu-se uma mudança radical, sente-se cheio de ânimo e de coragem. Deixou de dizer: “eu sou uma pessoa” e passou a afirmar: “eu sou um homem” e incorporou a palavra coragem ao seu vocabulário. Destaca-se o desenvolvimento de um certo nível de autoconsciência.       

 

TANIA – 33 a Impatiens  - Grávida, sentia muitas dores, andava muito nervosa, foi administrado Impatiens e sentia-se “melhor no geral”, embora as dores não tivessem desaparecido. Foi orientado a manter consigo um frasco de Rescue Remedy.

 

BETO– 55 a – Olive – Dificuldade de lidar com a separação após 34 anos de casamento. Tem problemas renais e diagnostico de fibromialgia. Sentia-se incapaz de continuar a viver, é como se tivesse morta uma parte de si. Após Olive, percebeu uma mudança significativa no humor; os problemas continuam, mas já consegue sorrir.

 

CENIRA – 42 a. White Chestnut – Já foi internada para tratamento de depressão profunda e tem comportamento agressivo; Sua principal característica são os pensamentos recorrentes. Tem sérios problemas pessoais e tem estado muito nervosa ultimamente segundo suas próprias palavras. Está em tratamento com White Chestnut, há um mês e quinze dias. Sente-se melhor. Está mais atenta aos próprios pensamentos.

 

LIZA – 56 a. PINE – Sua principal característica é pedir desculpas por tudo. Sente-se profundamente incomodada até mesmo ao receber um favor, porque teme provocar algum incômodo a alguém. Se algo acontece de errado à sua volta ela se atribui culpa por isso. Declarou sentir-se mais leve após o uso do floral.

 

ANA – 50 a – Enviuvou e só pensava em suicídio. Foi-lhe indicado Bleeding Heart – Essência Floral norte-americana. Dois meses de uso aproximadamente, sentia-se mais forte e os pensamentos de suicídio não mais ocorreram.

 

6          CONCLUSÃO

 

A física quântica nos revela que o próprio universo é autoconsciente. O que nós compreendemos como mundo físico é a expressão do não-fisico, da inteligência diretiva de todo fenômeno, do espírito criativo, da intencionalidade, da consciência. Essa percepção leva ao entendimento de que a matéria-energia é expressão dessa consciência — o fundamento de tudo. Sendo o mundo material uma realidade secundária, é possível admitir a existência de energias mais sutis até o infinito, sendo moldada pela intencionalidade da consciência.

                                   

“As sensações por trás das funções vitais de um organismo vivo provém do corpo vital da consciência. A consciência mapeia as funções vitais na forma do funcionamento dos diversos órgãos funcionais do corpo físico do organismo, usando o seu corpo vital”.[83]

 

Isso significa que é a consciência que programa a mente, usando as estruturas físicas e as energias vitais para se manifestar, por meio de sua capacidade criativa infinita. Considerando cada individualidade como expressão singular dessa consciência, dentro dos contextos vital-físico-emocional-mental-energético temos o ser integral a manifestar-se, nos quais ocorre uma interação constante nesses contextos por meio do direcionamento do fluxo da energia vital, que determinará o grau de sanidade do indivíduo.

 Segundo Ulman, no tocante aos cuidados com a saúde, a tendência do século XXI é, além do desenvolvimento de alta tecnologia para a realização de diagnóstica, o desenvolvimento de um sistema terapêutico baseado no autocuidado, em programas de bem-estar físico, emocional, nutritivo, na incorporação das práticas das terapias consideradas complementares, incluindo-se práticas energético-espirituais. O que ele chama de “modelo colaborativo de medicina”[84] que é a integração dos conhecimentos de médicos, curadores e o papel ativo do próprio paciente na recuperação da saúde. Naturalmente a terapia floral será um componente fundamental desse processo, uma vez que essa terapia tem por principio fundamental o estímulo da energia vital do individuo, respeitando, dessa forma, a sabedoria do corpo para que este inicie o seu processo de cura.

As leis da homeopatia demonstram que o estímulo energético positivo, aplicado por meio da homeopatia correta, gera uma vibração eletromagnética positiva, que entra em ressonância com a freqüência vibratória gerada pelas características do indivíduo doente, harmonizando-o, analogamente ao fenômeno da ressonância. Por exemplo, dois violões afinados no mesmo tom, ao ser tocada uma das cordas, o mi grave, a onda produzida alcançará o mi grave do outro violão, fazendo-o ressoar na mesma freqüência. Do mesmo modo, sendo a homeopatia um estímulo energético, a homeopatia incorreta ou a administração excessiva de medicamentos homeopáticos podem causar o fenômeno de interferência, que é a superposição de ondas, dificultando o diagnóstico e o processo de cura. Segundo Kaminski,  esse fenômeno da ressonância também se aplica às essências florais.

 

“De modo similar, a estrutura e a forma específicas das forças vitais transmitidas por cada essência floral fazem ressoar, e despertam, qualidades particulares na alma humana”[85].

 

Também aplicada a animais, a função da terapia floral é a harmonização do ser humano, de forma preventiva, para que ele cumpra o tempo de vida real saudável, estipulado pela natureza para as suas células e que ele possa morrer, no tempo certo, com tranqüilidade, de preferência pelo esgotamento da energia vital em seu organismo, ou seja, de forma natural e não por doenças ou acidentes. Também tem a capacidade de restaurar o equilíbrio do ser vivo, o bem-estar, observando às suas peculiaridades, suas características, a sua dinâmica, partindo do princípio harmônico da integralidade corpo-emoção-espírito. E, naturalmente, a um baixo custo, já que o país possui um dos mais ricos biossistema do Planeta.

 

“A terapia floral incorpora essa visão mais ampla dos cuidados com a alma. Seu princípio fundamental é o de que nosso bem-estar pessoal e nosso sentido de inteireza dependem muitíssimo do bem-estar geral do mundo em que vivemos. Todavia, este não é simplesmente um conceito abstrato ou um ideal teórico. O processo é mais profundo – o próprio cerne do significado da terapia floral – é que um diálogo ou relacionamento é gerado entre a alma humana e a alma da Natureza”.[86]

 

A terapia floral é reconhecida por terapia complementar pela Organização Mundial de Saúde – OMS, por não apresentar contra-indicação, e pelo Governo Brasileiro como “Atividades de Práticas Integrativas e Complementares” em saúde humana.

 


            REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

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12           LUIS, André. (psicografado por Francisco Cândido Xavier). Evolução em dois mundos. Ed.FEB. Rio de Janeiro, 2005.

13           MARTINEZ, José Roberto. Metapsicopatologia da Psiquiatria: Uma Reflexão sobre o Dualismo Espistemológico da Psiquiatria Clínica entre a Organogênese e a Psicogênese dos Transtornos Mentais / José Roberto Barcos Martinez – Tese de Doutorado. Universidade Federal de São Carlos, 2006.

14           MORENO, José Alberto. Medicina energética: o confronto com a medicina. Editora Hipocrática Hahnemaniana. Belo Horizonte, 2007.

15           _______________________. Doenças Crônicas segundo Hahnemann. Editora Hipocrática Hahnemaniana. Belo Horizonte, 2005.

16           _______________________. Ciência da Homeopatia. Editora Hipocrática Hahnemaniana. Belo Horizonte, 2005

17           _______________________ - O direito do uso popular da ciência da homeopatia. Editora Hipocrática Hahnemaniana. Belo Horizonte, 2004.

18           ________________________ - O organon da arte de curar de Samuel Hahnemann. Editora Hipocrática Hahnemaniana. Belo Horizonte, 2005..

19           OSTRANDER, Sheila e SCHOROEDER, Elynn. Experiências psíquicas além da cortina de ferro. Editora Cultrix. São Paulo. 1978.

20           PAULON, Elizabeth. Florais de Bach Acumputura. Editora Arte & Cultura. Niterói, RJ. 2001.

21           PLATÃO. Timeu. Instituto Piaget. Lisboa.2003.

22           REALE, Giovanni e ANTISERI, Dario. História da Filosofia. Vol. I. Editora Paulus. São Paulo. 1990.

23           ROSENBAUN, Paulo. Homeopatia: terapia interativa, história lógica da arte de cuidar. Imago Editora, Rio de Janeiro, 2000./

24           STEIN, Murray. O mapa da alma. Editora Cultrix. São Paulo, 2006.

25           VARELA, João. O século dos quanta. Editora UnB. Brasília. 2004.

26           VENNELLS, David. A Terapia Floral e seus benefícios. Editora Bestseller Ltda. Rio de Janeiro, RJ.

27           VITHOULKAS, George. Homeopatia: ciência e cura. Editora Cultrix, São Paulo, 1995.

28           WOOLGER, Roger J. As várias vidas da alma. Ed. Cultrix. São Paulo. 2007

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 Sobre a autora

Terezinha Santana trabalha com florais desde 1993. Fez pós-graduação em Filosofia e Existência e também em Ensino Religioso na Universidade Católica de Brasília e outra Especialização em Filosofia na UnB. É palestrante, atuando nas áreas da filosofia e da espiritualidade. Trabalha na área de ética de uma Empresa Pública e cursando Homeopatia na Universidade Federal de Viçosa. É credenciada pela Associação dos Terapeutas Florais (ASTEFLOR).


[1] Quanta – plural de quantum. Quantum unidade mínima das grandezas discretas (quantificadas) da física quântica; de forma genérica, o termo é usado para designar os corpúsculos (partículas) associados aos campos.

[2] Varela, 2004

[3] Satinover apud Arntz, 2007

[4] Gerber, 2007

[5] Goswami, p.63

[6] ARNTZ (2007), p. 78

[7] Kaminski, p.23

[8] Idem, p. 26

[9] Gravis, 1992 in Martinez, 2006

[10] Cf. Bulfinch, 2000, in Martinez, 2006

 

 

[12] Martinez, 2006, p. 15-16

[13] Id. p. 19

[14] Platão, Timeu 82a

[15] Ética a Nicômaco. Livro III, 30. p. 56.

[16] Martinez , p. 23, 2006,

[17] Idem. p. 23

[18] Capra, p. 98, 1997

[19] Reale, 1990, p. 113

[20] Cf. Id. P. 114

[21] idem p. 118

[22] Id, p. 118

[23] Cf. id.p. 362

[24]  Idem, p.118

[25] Id.  p.366

[27] Id. P.367

[28] Cf. Ullman, p. 38

[29] Gerber, p.133

[30] Rosenbaun, p. 51

[31] Cf. Rosenbaun, p. 54

[32] Cf. Ullman, p 72

[33] GERBER (2007), p. 140

[34] Cf Moreno, p. 71

[35] Bach, p. 47

[36] Idem, p. 51

[37] MORENO (2005), p. 20

[38] LUIZ (2005), p.24

[39] CAPRA (1993), p. 170

[40] Idem, cf. p. 170-185

[41] GERBER, (2007) p. 141

[42] Idem

[43] Idem, p.143

[44] Id. p.204

[45] OSTRANDER (1978), p.224.

[46] Idem

[47] Idem, p. 226

[48] Cf, idem, p.236.

[49] Idem, p.247

[50] Idem, p. 79

[51] MORENO, p. 128

[52] MORENO, p. 126

[53] MORENO, p.127

[54] MORENO, p. 128

[55] MORENO (2004) p. 141

[56] Jung apud Stein, p. 124 2006

[57] Denis, p.124

 

 

[59] Luiz, p.24

[60] Id. P.23

[61] Woolger, p. 196

[62] Gerber, p. 219

[63] Id. P. 144

[64] Moreno, 61

[65] Moreno, 2005 p. 21

[66] Moreno 2007, p.38.

[67] Id. P, 60

[68] Brennan, p. 414

[69] Kaminski, p.59

[70]Leloup, p.25

[71] Idem, p.46

[72] Bach, p.16

[73] Idem, p.16

[74] Idem, p. 22

[75] Cf. Bach, p. 28

[76] Bach, p. 33

[77] Idem, p. 66

[78] Id. P. 72

[79] GERBER, p. 204

[80] Idem, p. 206

[81] Id. 207

[82] Kaminski, p 73

[83] Goswami, p.116

[84] Ulman, p.28

[85] Kaminski, 2008

[86] Kaminski, p. 20

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