30 jun
Tratar a causa e não a doença
(*) Por José Joacir dos Santos
Florais podem ser “medicados” como qualquer outro “remédio”? Não. Embora tenha sito um médico, o Dr. Bach, que sistematizou a Terapia Floral nos anos 30 do século passado, a Terapia Floral não é uma especialidade médica e o próprio Dr. Bach a sistematizou com essa finalidade. Precupado porque ele sabia que tratava as doenças e não as causas, largou a medicina oficial e utilizou seu conhecimentos para os estudos da Terapia Floral sem imaginar que essa atitude criaria um impacto mundial. Nós, terapeutas, apreciamos muito e louvamos a integração de inúmeros médicos brasileiros hoje em dia com as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde Humana, entre as quais a Terapia Floral se encontra. Floral já está no SUS e o Brasil dá um baile de humanização da saúde pública. Inúmeros sistemas florais fracassaram no mundo, inclusive alguns no Brasil, porque quem os manipulava não compreendia a leveza dessa terapia, que precisa ter a sensibilidade espiritualizada de quem cria. Na Califórnia, Estados Unidos, existem inúmeros casos de fracasso absoluto porque a intenção dos criadores era puramente comercial, sem alma, sem a intenção da cura humana.
É preciso ter cuidado para não se fazer com a Terapia Floral o que se fez com a Psicologia e o que se tenta fazer com a Acupuntura. A Psicologia no Brasil, incentivada pelo Conselho da classe, tornou-se um boneco amarrado pelos pés. Passou a copiar procedimentos da medicina alopática e com isso distanciou-se da sua finalidade básica que é tratar o ser humano de forma holística, integral. Tratar o ser e não as doenças, com a compaixão de não imprimir rótulos. Uma breve leitura nos livros de Jung dá para perceber a preocupação constante dele em manter a piscologia e a psicanálise (embora as duas não fossem muito bem definidas em sua época) a serviço do ser humano integral, sem a castração da espiritualidade porque tudo no Planeta Terra está integrado e depende das forças da natureza.
Trabalhando como presidente da Asteflor, por anos, e ultimamente como secretário, recebo e respondo inúmeros e-mails de todo o país e de alguns países de língua portuguesa e espanhola sobre a Terapia Floral como um todo. Pelas queixas e perguntas, dá para saber que já existem inúmeros médicos trabalhando com a Terapia Floral e isso é louvável. A preocupação é que alguns confundem floral com medicamento no sentido alopático e acham que as pessoas podem ser “medicadas” com floral. O caso mais grave que registrei foi o de uma médica que colocou 20 essências diferentes em um vidro e deu para o paciente dela. Aparentemente ela leu a indicação de cada floral como se lê a bula de um remédio alopático e juntou as essências no vidro pensando sem se preocupar em OUVIR o que o cliente tinha a dizer de si mesmo. Terapia Floral não é juntar essências em vidros e tomar. Os antigos “buquês” estão ultrapassados. Floral não é garrafada!
Doutor Bach chamou seu Sistema de Floral de Bach de “remedies” (remédios). O Dicionário Aurélio diz que remédio é “aquilo que combate mal, dor ou doença. Aquilo que serve para curar ou aliviar a dor ou enfermidade”. Órgãos da classe médica parecem ter problemas com dicionário e acreditam que tudo que fala de cura, de dor, de remédio, de medicamento, de mal e de doença é “propriedade” da medicina alopática. Eles também têm dificuldade em compreender que medicina não é só a alopática. As vezes, ironicamente, chamo a medicina alopática de oficial porque tem mais médicos como chefe de escritórios públicos em Brasilia do que profissionais de administração e do que em hospitais. Medicina é um termo amplo, utilizado pela humanidade para definir sua capacidade de buscar o equilíbrio da saúde física, mental, emocional e espiritual e isso não é propriedade de ninguém. O próprio Dicionário Aurélio cita vários tipos de “medicina”, inclusive a “medicina indígena”.
Devido ao hábito de receitar medicamentos alopáticos de acordo com as direções dadas pelos laboratórios, médicos estão tentando fazer a mesma coisa com floral e isso é um erro grave. O uso do floral não é para os males físicos propriamente ditos, por exemplo, tumores, embora pessoas com tumores tenham alivio emocional com a Terapia Floral. É só verificar o trabalho feito pelo Sistema de Florais de Saint Germain com pessoas que se submetem a transplantes de órgãos em São Paulo para ver que não há incompatibilidade de florais nem com cirurgias. Trabalhar com a Terapia Floral é sair de toda lógica da divisão do corpo humano em partes ou peças. O médico precisa soltar os hábitos mecânicos de exame e olhar para o paciente como se olha para um bebê indefeso pedindo socorro.
É preciso imitar um pouco a bondade de Chico Xavier, a leveza de Madre Tereza, a suavidade do Dalai Lama sem ter que se desfazer do conhecimento fantástico que a profissão de médico proporciona. É sair da lógica matemática para a leveza do ser e entrar nas dificuldades emocionais sem invadir as especialidades dos profissionais da terapia, da psicanalise, da psicologia nem o paciente. Floral e medicamento alopático funcionam muito bem juntos e o exercício de conhecer essa parceria, que parecia impossível até há pouco tempo, é um desafio que vai tornar o médico mais humanizado. Deixar o peso do diploma para redescobrir as necessidades básicas do ser humano sem a necessidade da droga química é também um desafio que muitos já estão vencendo.
Já existem vitoriosos nesse caminho. Tecnicamente, floral é complemento alimentar, não é remédio e não há como facilitar essa transição nas traduções entre inglês e português sobre “remedies”. Médicos são muito bem-vindos como Terapeutas Florais, desde que se tenha a humildade de penetrar no mundo do conhecimento popular e respeitá-lo como tal. A Terapia Floral é muito simples mas não funciona sem que o terapeuta deixe fluir a intuição e tenha a grandeza de tentar se tornar leve como as flores para compreender e funcionar diante de um cliente que procura essa Terapia que caminha para os 100 anos.
Há de chegar o dia em que todos trabalhemos juntos, contribuindo com o conhecimento individual, holístico por natureza, que vem da raiz da humanidade, há milênios, sem a interferência da saia justa dos órgãos de classe de cada profissão nem o cheiro de máfia impregnado nas grandes corporações. A Terapia Floral é de todos e para todos sem tarjas nem exclusividade da chamada superioridade acadêmica. Em cerca de dez anos trabalhando com florais, já experimentei 13 sistemas diferentes, de várias partes do mundo e em cada um deles dá para se saber o nível de intenção de cura. José Joacir dos Santos é credenciado pela American Association of Integrative Medicine jjoacir@gmail.com
Nota: a fotografia é da casa do Dr. Bach,onde ele selecionou as flores, fora de Londres

Postado por Tania Stewart em 30.06.10 at 10:14
Obrigada pelo seu precioso tempo e sua bondade de nos esclarecer, e como e bom saber que temos Seres assim como voce, com a mente voltada para a luz da verdade…Tania Stewart, Sacramento, CA.